Olá leitores,
O titulo do post pode ser um assunto polêmico, mas não deveria quando se leva em conta o respeito ao ser humano seja ele quem for e como esteja ou prefira se apresentar.
É fato a existência do preconceito, infelizmente, mas quem dedica a vida à espiritualidade não pode, nem deve, acolher o preconceito dentro de si. Se ainda se arrasta pela vida, apegado a preconceitos e julgamentos, então a religião nada ensinou ou é preciso voltar ao inicio, recomeçar e entender que religião e espiritualidade organizam nossos pensamentos para que possamos vencer o mal que ainda existe dentro de nós.
A mediunidade não escolhe cor de pele, nacionalidade, preferencia sexual, nem tampouco é privilégio dos politicamente corretos ou dos que praticam uma fé cega, limitada. A mediunidade é faculdade humana e se apresenta de diversas formas sendo cada pessoa responsável pelo uso que faz dela.
Conheci uma pessoa muito dedicada ao espiritismo de Kardec que não aceitava a própria filha por conta de sua opção sexual. Essa postura me colocou para pensar porque toda a obra de Kardec conduz a "amar" e respeitar o próximo, a ser compassivo, empático, é uma filosofia boa, que acolhe e descortina muitas questões intimas de todos nós, mas sofre o impacto do ser humano encarnado preconceituoso, hipócrita muitas vezes, outras até desumano em suas criticas e posturas e "destrói" toda a beleza da Doutrina. Acredito que mesmo assim esse ser está, de alguma forma, evoluindo, está a caminho de purificar o coração, caso siga se dedicando realmente a compreender a mensagem espírita.
Quanto ao médium transgênero, assim como todas as pessoas, ele é apenas um mediador entre uma e outra realidade/dimensão, não é branco, preto, gordo, etc. É apenas e tão somente uma pessoa que decide, ou não, colocar sua mediunidade à disposição da espiritualidade com a permissão e benção de Deus. Sendo bem intencionado e direcionando seu trabalho ao bem e ao auxilio ao próximo, está se beneficiando, evoluindo, aprendendo a ser melhor para ele mesmo e para os outros.
Simples assim.
É claro que o médium, quanto mais equilibrado, melhor. Quanto mais saudável, culto, comprometido com o trabalho que realiza, melhor, para ele mesmo e para os que são por ele assistidos mediunicamente. Tudo isso é um processo no qual uns avançam mais rápido, outros menos, mas todos estão evoluindo a seu tempo conforme sejam suas capacidades e dentro de suas limitações porque estar encarnado é um desafio diário e o médium se vê, em muitas situações cotidianas, convocado ao testemunho de sua fé seja ele trans ou não.
A Doutrina Espírita tem nos estudos das obras de Kardec, entre outras, sua base forte e fundamental para o progresso mediúnico, outras filosofias/religiões, se apoiam em bases diferentes, adequadas a sua missão terrena, mas que também colaboram com o progresso do médium, não apenas como mediador entre mundos, mas como ser humano. Este é um dos grandes objetivos quando colocamos nossa mediunidade a serviço da Luz.
Impedir uma pessoa de evoluir no sentido prático mediúnico, limitando essa ou aquela por suas condições, está em desacordo com a prática da caridade.
Na Umbanda, pelo menos na Umbanda que pratico, alguns preconceitos não cabem, embora saibamos que existem. Compreendemos perfeitamente a missão de acolher a todos, colaborando assim com suas jornadas, de mantermos nossas portas abertas a todos que buscam alivio, novos caminhos, amparo, proteção. Não observamos cor de pele, situação financeira, preferência sexual dos que buscam, em nossas casas, por algum tipo de auxilio, nem tampouco lhes apontamos os vícios/manias/hábitos.
Nossos médiuns são seres humanos em evolução, assim como nós mesmos e antes de lhes apontar as "imperfeições" que carregam, olhamos para nossas próprias.
Nos dias de trabalho, nos preparamos, seguimos preceitos, usamos banhos de ervas, acendemos velas para nossos anjos da guarda, evitamos falatórios, pensamentos em desacordo com o bem, usamos roupas limpas, brancas, destinadas especialmente para o dia de gira, usamos nossas guias com respeito e fé e nesse momento, nos colocamos como instrumentos para servir a Deus, aos Orixás e à espiritualidade. Todas as nossas preferencias, hábitos, etc. ficam do lado de fora do terreiro e, quando voltamos para nossas atividades, aos poucos vamos nos lapidando, melhorando como humanos, vencendo nossos próprios desafios e sombras.
Numa corrente mediúnica de Umbanda, cada pessoa está por uma razão. É a espiritualidade que sugere e o médium, aceita, ou não, o convite. Em outros casos, quando o médium sente o chamado e pede para fazer parte do corpo mediúnico, é a espiritualidade que o aceita, ou não, cada caso é um caso, mas em ambos os casos, o médium passa por uma preparação, um ajuste, para então ingressar na corrente independentemente de sua cor de pele, condição financeira, ser ou não trans, estar ou não, vivendo o processo de transição, ter a saúde fragilizada (nesses casos, muitas vezes, ingressar na corrente será a ajuda que precisa). A espiritualidade sabe o que faz e ao médium umbandista cabe acolher e auxiliar a todos.
São muitos os ensinamentos que a Umbanda nos traz de maneira prática, na vivência de terreiro, no convívio com pessoas absolutamente diferentes umas das outras que, vestidas de branco, se igualam para servir não importando seus títulos, profissões, diferenças sociais porque quando se encontram para mais um dia de trabalho, estão ali para servir, aprender, colaborar, inspirar e ser inspirado, ouvir as recomendações dos guias, mentores, benfeitores que vem, de outra dimensão/mundo, a todos ajudar e assim, juntos, vamos evoluindo, aprendendo uns com os outros, nos ajudando, acolhendo e sendo acolhidos sem julgamentos, preconceitos.
Anna Pon
.png)
Comentários
Postar um comentário