Pular para o conteúdo principal

A evolução das entidades de Umbanda


 

A evolução das entidades de Umbanda


A evolução é constante, tudo muda e evolui o tempo todo, nada permanece igual; nem nós, nem o planeta. E esse é um fato.

Pessoas mudam, umas mais, outras menos, mas todos mudam. Talvez a gente não mude radicalmente, mas o fato é que mudamos e sempre buscamos nos adaptar ao mundo dito moderno.

Na Umbanda não é diferente, muito embora poucas modificações ritualísticas sejam observadas no decorrer destes mais de cem anos de religião, as mudanças acontecem porque o mundo e as pessoas mudaram muito, e estão mudando diariamente e principalmente por conta do avanço da tecnologia.

Há quem pense que as entidades de Umbanda estão paradas no tempo, isso não é verdade, talvez, estejam muito mais evoluídas agora que a tempos atrás. Esse pensamento de estagnação, talvez se deva ao fato de algumas entidades, como os pretos e pretas velhas, por exemplo, ainda usarem um linguajar bem simples, com erros de português, usando palavras e termos em desuso, mas as coisas não são bem assim, existe uma razão para tal postura por eles adotada.

O médium incorporado sofre modificação, total ou parcial, de seus trejeitos, de seu tom de voz, semblante, postura corporal pelo simples fato de estar cedendo, a uma outra inteligência, alguns de seus sentidos e maneiras de se expressar, esse mesmo médium, reconheceria, com facilidade, um preto velho que não o arqueasse, ao menos um pouco, quando incorpora? Só com muitos anos de trabalho e convivência a resposta pode ser afirmativa, portanto, isso não significa que o preto não evoluiu e sim que é uma maneira de se manifestar e ser reconhecido dentro do trabalho de Umbanda pelo seu médium e pelos demais, ele tranquilamente poderia ajustar a postura do médium e começar a falar normalmente, porém, isso causaria espanto, desconfiança, etc. e tal, além de ser uma mudança muito drástica de forma de trabalho não para a entidade, mas sim para os médiuns acostumados com suas maneiras e para as pessoas que buscam auxílio com essas entidades.

Não é pela forma que se identifica a evolução do espírito, mas sim por sua mensagem, pelo bem que realiza, pelos bons e sábios conselhos que dá.

A pandemia foi um desafio para todos e para nós, Umbandistas, foi um tempo bem sofrido, complicado, e falando em evolução, de todos, e isso inclui as entidades, nos deparamos com a necessidade de continuarmos, de alguma forma, conectados à espiritualidade que em momento algum nos desamparou, partimos então para a aventura do online que jamais substituirá a presença no terreiro, para estarmos juntos, não para montar gira virtual porque realmente concluímos que não funciona, nem tampouco nos foi solicitado tal procedimento, mas para nos reunirmos para cantar, louvar os Orixás que cultuamos e para saudar nossas entidades, bem, digo isso porque sem o avanço e evolução tecnológica isso seria impossível e nos isolaria ainda mais.

Muito bem, mesmo sem incorporar, nesses encontros online, sempre soubemos e sentimos a presença dos guias, mentores e benfeitores nos acompanhando, intuindo, descarregando, abençoando. Isso seria impossível se eles, os espíritos, não acompanhassem a evolução do mundo, portanto, fique claro que maneiras de falar, postura corporal, não significam falta de evolução, mas sim ferramenta de trabalho, formas de expressão. É importante não confundir as coisas.

Talvez sejamos nós os "atrasados" no processo evolutivo porque pensamos pouco, porque estamos muito apegados à forma ilusória sem buscar a essência, o sentimento, a bondade que a espiritualidade que se manifesta na Umbanda traz independente de linguajar, gestos, jeitos e trejeitos, isso tudo faz parte de um conjunto de ferramentas usadas pela espiritualidade para chegar mais perto dos corações mais simples, daqueles que por necessidade não tiverem acesso ao estudo porque trabalham de sol a sol a fim de sobreviverem neste país que privilegia os mais abastados e incentiva pouco a educação.

A espiritualidade é caridosa e sempre falará, com palavras e gestos, através de seus médiuns, de forma tal que todos os possam compreender, isto sim é ser evoluído.

E que sigamos evoluindo com responsabilidade, dignos e merecedores de todo o bem que os Orixás e os espíritos nos trazem e concedem para que possamos compartilhar com todos a nossa volta dessas bençãos que nos fortalecem e inspiram a seguir em frente sempre com fé e esperança em melhores tempos e dias.

Axé! Saravá! Namastê!

Anna Pon


Olá, sou Anna Pon, autora deste blog. 
Conheça meu trabalho de psicografia literária e seja sempre bem-vindo!  


"Vô Benedito nos Tempos da Escravidão" novo trabalho psicografado por Anna Pon. 
Transmitido por Vô Benedito (Espírito)
Já à venda no Clube de Autores e nas melhores livrarias do Brasil
Nas versões impresso e e book acesse o link!



"Maria Baiana e a Umbanda"
Uma psicografia de Anna Pon pelo espirito de Maria Baiana
Disponível nos formatos e book e capa comum, já a venda em
Amazon.com





Publicações pela Editora do Conhecimento

"A História de Pai Inácio" https://bit.ly/3tzR486  

"A Cabana de Pai Inácio"  https://bit.ly/3nlUKcv


"Carmem Maria" https://bit.ly/3z0tLp4




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Orixá de Frente – Orixá Adjunto – Orixá Ancestral – A natureza humana -

Orixá de Frente – Orixá Adjunto – Orixá Ancestral – A natureza humana - Qual é o meu Orixá? De quem eu sou filho? Quem é o meu Pai de cabeça? Quem é o meu padrinho? Qual é o casal de Orixás que me acompanham? Antes, porém, de saber qual é o meu Orixá é importante entender o que isso quer dizer, qual é a minha relação com os Orixás. Entendendo que temos também um problema de linguagem, o que um Terreiro entende por meus Orixás, outro Terreiro entende de uma forma diferente. É muito comum as pessoas procurarem alguém que jogue búzios e ali fazer uma leitura de Orixá. Agora, é mais comum ainda você ir a um lugar e alguém lhe falar: “Você é filho de Xangô”; aí você vai num outro lugar e lhe dizem: “Você é filho de Ogum”; vai num terceiro lugar e lhe dizem: “Você é filho de Oxóssi”; sem contar que as características de Xangô, Ogum e Oxóssi são diferentes. E você fica sem saber, fica vendido, sem entender qual é, afinal, o meu Orixá? A contra pergunta...

Firmeza e Assentamento (Umbanda)

Firmeza e Assentamento Antes de falar sobre o assunto, a leitura recomendada, trazendo maiores informações é:  “Rituais de Umbanda” de Rubens Saraceni, editora Madras. De forma resumida, podemos dizer que firmeza é uma força ou poder firmado e assentamento, a força ou o poder assentado. Forças são as das entidades e poder é dos Orixás. Firmamos uma força quando, por exemplo, acendemos uma vela, essa é a maneira mais simples de firmar força. Ao acender tal vela, porém, há de se ter fé e força mental. Esse ato deve vir com força e convicção do íntimo, do contrário é apenas e tão somente uma vela acesa. Desse ato então dizemos que ali, naquela vela, uma força está firmada porque firmar significa que tal força vibrará e repercutirá enquanto a vela estiver acesa, finalizando sua tarefa quando se apagar. A vela é um recurso de ligação nossa com o Orixá ou com o Guia Espiritual. Potencializamos a firmeza da vela quando, por exemplo, esc...

Linhas de Trabalho da Umbanda – Baianos, Boiadeiros, Ciganos – Marinheiros, Malandros, Povo do Oriente, Mestres da Jurema.

Linhas de Trabalho da Umbanda – Baianos, Boiadeiros, Ciganos – Marinheiros, Malandros, Povo do Oriente, Mestres da Jurema Falando sobre linha de trabalho, vamos para a linha de Baianos. Caboclo, Preto Velho e Criança são as três principais linhas de Umbanda. São linhas tão fortes que alguns autores chegaram a dizer que a Umbanda era só pra Caboclo, Preto Velho e Criança, mas não é assim. Voltando na história de Zélio de Moraes como o básico do fundamento da religião, ele diz: “Com quem sabe mais a gente aprende, pra quem sabe menos a gente ensina e não vamos virar as costas para ninguém”, se não vamos virar as costas para ninguém por que é que vamos virar as costas para o Baiano, o Boiadeiro, o Marinheiro? A Umbanda é uma religião onde as entidades se manifestam, não apenas Caboclo Preto Velho e Criança. Embora essas sejam as três primeiras linhas de trabalho, as primeiras linhas de entidades que se manifestam na Umbanda: Caboclo, Preto Velho e Cria...