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Espiritismo – Candomblé – Umbanda -





 Espiritismo – Candomblé – Umbanda -

A primeira manifestação do Caboclo das Sete Encruzilhadas aconteceu por intermédio de Zélio F. de Moraes, dentro de um centro Espírita na cidade de Niterói-RJ.

A Umbanda, portanto, foi anunciada dentro de um centro Espírita Kardecista e, entre Umbanda e Espiritismo existem algumas curiosidades como, por exemplo, a questão dos Guardiões, Exus, para nós que somos Umbandistas.

Essas entidades são mencionadas na obra de Chico Xavier como guardiões das casas Espíritas, ou seja, entidades espirituais que zelam pela proteção da casa.

 Outra curiosidade entre a Doutrina e a Religião de Umbanda é a questão do sexo. 

A Doutrina nos diz que ora o espírito encarna como homem, ora como mulher.

Rubens Saraceni lança um novo olhar nessa questão, lança seu olhar Umbandista e nos diz que o espírito, em sua natureza, ou essência, pode ser mais ou menos passivo ou ativo tanto na natureza feminina quanto masculina e que aquele que tem uma natureza masculina quase sempre vai encarnar em corpo masculino, aquele que tem uma natureza feminina quase sempre vai encarnar num corpo feminino.

 Existe um texto de Chico Xavier que diz o mesmo:

“ Quem nasce homem quase sempre nasce homem”, mas se tiver necessidade de nascer num corpo feminino pra aprender alguma coisa, ele nascerá”.

No entanto, isso pode ser doloroso ou missionário, porque aquele espírito tem uma natureza que é ou mais masculina ou feminina.

São curiosidades com relação à doutrina Espírita e a doutrina Umbandista. A forma de Kardec falar da gênese é a seguinte:

“Todos nós passamos pelo reino mineral, reino vegetal, reino animal e hominal”.

 A pergunta é:

No reino mineral, vegetal, animal, o que é que nós éramos?

Certamente não éramos pedra, vegetação, nem tampouco um tigre ou um cavalo, mas sim seres habitantes de cada um desses reinos.

Essas pequenas curiosidades acerca do Espiritismo e da Umbanda deixam bem claras as diferenças entre uma e outra Doutrina e a única semelhança é a mediunidade e a manifestação dos espíritos.

Umbanda, Candomblé e Espiritismo são diferentes, porém, tem em comum a mediunidade e tal faculdade permite que as pessoas transitem por elas e possam experimentar.

O sociólogo, cadeira de Sociologia da USP, Cândido Procópio Ferreira de Camargo, na década de 60, especificamente em 1961, publicou o livro “Umbanda e Kardecismo” a fim de comentar sobre algo que ele chamou de “continuum”.

Cândido Procópio Ferreira, professor de Sociologia, identificou algo chamado de “continuum mediúnico”,  identificava que entre Umbanda e Espiritismo havia um “continuum”, uma continuidade mediúnica, porque muitos começavam a mediunidade no Espiritismo e migravam para a Umbanda, outros começavam a mediunidade na Umbanda e migravam para o Espiritismo, essa mesma mediunidade permitia tanto praticar Espiritismo quanto Umbanda, num “continuum”, num intercâmbio, de tal forma que muitos Centros Espíritas se tornavam quase Centros Espíritas Umbandistas e Centros Umbandistas Espíritas.
Centros Espíritas trabalhando com Caboclo, Preto Velho, Centros de Umbanda trabalhando com a obra de Kardec gerando um “continuum”, ou seja, existe o Espiritismo clássico, ortodoxo e o Espiritismo mais flexível que vai se aproximando da Umbanda.

Existe a Umbanda praticada de forma mais próxima do Espiritismo de Kardec, de tal maneira que se cria um “continuum”, uma ligação.

Podemos dizer que esse “continuum” começa no Espiritismo passa pela Umbanda e vai até o Candomblé e os outros Cultos de Nação, porque também há um intercâmbio mediúnico entre Umbanda e Candomblé, Candomblé e Umbanda, médium que sai da Umbanda e vai para o Candomblé, do Candomblé vem para a Umbanda e depois vai para o Espiritismo e a mesma mediunidade, o mesmo dom que é a mediunidade permite uma prática religiosa Espírita, Umbandista ou Candomblecista.

Embora, sejam três religiões diferentes, esse sociólogo define que Umbanda e Espiritismo são religiões mediúnicas e estendemos tal definição para o Candomblé.

Temos, portanto, três religiões mediúnicas:
                                                                                                       
 Espiritismo, Umbanda e Candomblé.

 Espiritismo e Umbanda em comum:
-mediunidade e espíritos.

-Umbanda e Candomblé em comum:
-mediunidade e Orixás.

 As três em comum:
-mediunidade.

Isso é um “continuum mediúnico”.

O fato de a mediunidade ser trabalhada nas três é que dá uma certa flexibilidade a um trânsito de uma para outra.

Deve-se tomar, porém, o seguinte cuidado:

 Não usar desse trânsito para misturar as coisas de tal forma que você não saiba mais o que é que está praticando.

 O importante é saber:

O que eu estou praticando?
Qual o fundamento daquilo que estou praticando?

 Você quer transitar, transite, mas, pense, Jesus era um Judeu, então, poderia haver um “continuum” entre Judaísmo e Cristianismo, mas lembre-se, Cristianismo se fundamenta no Novo Testamento e Judaísmo se fundamenta no Velho Testamento.

Quando Cristo vem, ele é proclamado como “O último cordeiro, que deu o sangue dele por nós”, o que isso quer dizer que, Cristianismo não faz sacrifício animal, Judaísmo faz sacrifício animal.
No Velho Testamento, Deus vem e explica pessoalmente para Moisés como é que Moisés deve imolar os animais e colocá-los em oferenda ao senhor, está lá no Velho Testamento.

 O Islã também faz sacrifício animal, o Hinduísmo também faz sacrifício animal, portanto, que não ousem  apontar o dedo para o Candomblé como se fosse a pior religião do mundo porque faz sacrifício animal. E sacrifício animal não é matança, sacrifício animal não é magia negra.
 A Umbanda não faz sacrifício animal, o sacrifício animal não é um fundamento de Umbanda, existem Terreiros de Umbanda que fazem sacrifício animal por praticarem a Umbanda trançada, a Umbanda Omolocô ou por praticarem Umbandomblé, Candombanda ou por praticarem Candomblé de Caboclo.

Existem Terreiros que quando vão muito para uma vertente, às vezes, essa diversidade, essa pluralidade, coloca em risco a unidade.

Quando aquele Terreiro de Umbanda chega ao ponto em que se torna Umbandomblé, ele já não é mais nem Umbanda e nem Candomblé, é Umbandomblé.

Definir, explicar, dizer como são as coisas, cada um tem a sua liberdade, mas, volte a Judaísmo e Cristianismo, se Cristo derramou seu sangue pelos seus fiéis, já não precisa mais fazer sacrifício animal.

Um Cristão que quer ser Cristão e Judeu ao mesmo tempo ou ele tem que fazer uma escolha ou ele tem que um dia seguir um fundamento e outro dia seguir outro fundamento.

No caso da Umbanda é a mesma coisa, precisamos saber qual fundamento nós estamos seguindo, qual é o nosso fundamento, qual é a nossa base. A nossa ideia aqui é essa, passar uma base de fundamentos que lhe diga se você quer seguir os fundamentos de outra religião para praticar Umbanda, tudo bem, mas não precisa porque Umbanda tem fundamento próprio.

Eu posso e devo ler e estudar toda a obra de Kardec, mas não é a obra de Kardec que fundamenta a Umbanda.

 Eu posso ler e estudar toda a obra de Pierre Verger e posso me aproximar dos Cultos de Nação, mas não é isso que fundamenta a Umbanda.

Eu posso amar o Catolicismo, mas não é ele que fundamenta a Umbanda.

O que fundamenta a Umbanda é:

 A manifestação do espírito para a prática da caridade da forma mais simples possível.

Sua Teologia é simples, mas é vasta.

Umbanda é religião e é cultura, portanto, Umbanda representa um novo olhar, por isso nós temos que aprender a ter um novo olhar para o mundo, o olhar Umbandista que não é o olhar Candomblecista, que não é o olhar Espírita, que não é o olhar do Catolicismo.

 Umbanda é uma cultura, uma maneira de viver, uma forma de encarar a vida com esses valores.

Vamos incorporar o Caboclo, o Preto Velho, o Baiano, o Boiadeiro, o Marinheiro, o Exu, a Pomba-gira, o Cigano, a Linha do Oriente, as Crianças, mas vamos acima de tudo incorporar os valores dessas entidades.

 Vamos incorporar uma cultura de uma religião única, linda e independente que tem fundamento próprio.

Umbandista é uma pessoa comum, uma pessoa normal, que dança que ri que chora que toma uma cervejinha de vez em quando, que beija na boca, que namora e que vê tudo isso como coisa normal, de gente normal e é o que a gente quer ser.

 Somos Umbandistas, médiuns, não somos santos, porém, queremos nos tornar pessoas melhores para nós mesmos e para os outros, porque a Umbanda e os Guias de Umbanda nos ensinam isso.

Annapon
24.10.2014

( texto baseado no Curso de Teologia de Umbanda- Rubens Saraceni)


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