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Conceito de pecado e carma sob a ótica de uma Umbandista



Conceito de pecado e carma sob a ótica de uma Umbandista

Sabemos que a Umbanda sofreu influências de muitas religiões, dentre elas, o Catolicismo e o Espiritismo.

Tal influência deixou seu legado, como por exemplo, os conceitos de pecado (Catolicismo) e Carma (Espiritismo).

A proposta da Umbanda, a meu ver é outra, ela liberta do pecado e suaviza o carma, ao mesmo tempo convoca seus adeptos a autoanalise e responsabilidade levando o ser a refletir acerca das consequências de seus atos dentro e fora de seus lares.

A ninguém a Umbanda condena ou lança às chamas do fogo eterno, antes sim propõe a renovação do ser humano a partir do despertar de sua consciência e encaminha essa nova consciência, a uma nova etapa de vida, onde valores como o respeito ao Sagrado e ao outro são os pilares nos quais se sustenta.

Na Umbanda, o conceito de carma, na minha forma de pensar, é relativo, pois a ninguém obriga, ou induz à obrigação, de aceitar com mansidão o jugo que não lhe pertença.

Penso que na Umbanda somos motivados a sairmos de nossa zona de conforto para assumirmos a responsabilidade por nossas vidas e atos de uma maneira equilibrada e sem causar danos ao outro tanto quanto isso seja possível, portanto, transferir a um possível “carma”, a falta de atitude para que a vida melhore é simplesmente uma questão de imaturidade, além de infantilidade, mesmo porque a vida cobra ação, reação, cobra que se saia do mundo confortável para o mundo real e, na Umbanda, os guias reforçam esse pensamento/ensinamento sempre nos impulsionando adiante para que tomemos nas mãos as rédeas da abençoada vida que Deus nos concede com tanto amor e bondade.

A política do medo acaba na Umbanda, pois todos podem recomeçar a partir do reconhecimento do erro e da boa disposição em seguir acertando mais que errando.

O carma fica mais leve, pois é apresentado não como punição, ou acomodação, mas sim como deve ser, com equilíbrio, sabedoria e cautela, mesmo porque nem tudo é carma, nem todas as pessoas a nós ligadas são nossos carmas. Há de se ter muita cautela e discernimento para diferenciar as situações e a Umbanda, com seus guias, protetores e mentores, nos auxilia nesse sentido.

Vale lembrar ainda que todo carma tem “prazo de validade” e que ninguém está aqui na Terra para sofrer indefinidamente, a não ser que ao sofrimento se tenha aliado, ou nele sinta alguma espécie de prazer, nesse caso, deve ser observada a razão pela qual nesse estado a pessoa se encontra e, mais uma vez, temos ai, o belo trabalho da Umbanda auxiliando na busca dessa resposta por vezes dolorida, porém, necessária.

Quando despertamos para os valores que a Umbanda ensina, incansavelmente, vivemos com mais leveza, despojamos de nós velhos conceitos, nos livramos do verniz do falso moralismo, do medo que oprime e impede de viver, vemos no outro a nós mesmos e, até que a esses valores cheguemos que possamos viver com mais calma a cada dia procurando lapidar a nós mesmos até que a Luz que habita em nós brilhe e possa atrair outros dispostos a fazerem o mesmo.

Axé! Saravá! Namastê!

Anna Pon
20/10/2014


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