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Mãe Menininha do Gantois




Olá amigos!

Como devem saber, meu coração é Umbandista!

Esse mesmo coração, encontrou na Doutrina Espírita, um tesouro de aprendizado! Não satisfeito, busca sempre conhecer um pouco mais sobre as outras religiões, com todo o respeito, é claro. 

Encontra nelas peças que sempre se encaixam em minhas próprias crenças e convicções, fragmentos, como são, da verdade que, como um espelho, se partiu em muitos pedaços para que todos, enfim, um dia se possam unir. E o dia virá!

Bem, o comentário acima é só para dividir com vocês mais esse aprendizado que foi ler esse livro lindo e muito bem escrito, que conta a história de vida e de trabalho incansável dessa pessoa linda que foi e é Mãe Menininha!

Uma vida dedicada às pessoas e à religião que recebeu por herança de seus ancestrais. O mais curioso, para mim, foi descobrir através dessa leitura, que ela tinha forte influencia católica. É muito bonito ver isso, pois prova que a pessoa acolhe e recolhe para si aquilo que considera bom e Sagrado enquanto vemos "purezas" doutrinárias sendo pregadas por ai que na verdade não fazem o menor sentido.

Mãe Menininha foi e é muito respeitada por pessoas de todos os níveis sociais e crenças, deixou um legado de fé, amor e esperança que jamais se apagará.

Pensando nela, outro dia, imaginei como seria se ela e Chico Xavier tivessem se encontrado por aqui! Certamente seria um encontro de Luz banhado de amor e fé puros, sem discriminação ou bandeiras para os rotular.

É isso meus amigos! Recomendo essa leitura a todos que tenham interesse em aprender sempre mais!

Transcrevo abaixo um trecho lindo desse livro para que apreciem sem moderação!


Literatura de Cordel
Adeus Mãe Menininha, a nossa Ialorixá Maria Escolástica da Conceição Nazareth, de Antonio Ribeiro da Conceição, Bule-Bule.


Um grito de desespero
Do Brasil se desprendeu
Amedrontou Jorge Amado
Deu um susto em Camafeu
Estremeceu a Bahia
Mãe Menininha morreu.


Não sei se é superstição
Treze marca um fim de linha
Foi treze de agosto,
Que morreu Mãe Menininha
A grande Ialorixá
Entre todas a Rainha


Viveu noventa e dois anos
Somente fazendo o bem
No reino do Gantuá
Em cada parede tem
Uma mensagem de amor
Invocada do além.


A antiga gameleira
Por um escravo plantada
Pra simbolizar a paz
Até hoje é adorada
E foi por Mãe Menininha
A vida inteira cuidada


Quem recebe do Altíssimo
A mensagem de servir
É como Mãe Menininha
Que pode contribuir
Com o dom que Deus lhe deu
Fazendo o povo sorrir.


Sempre que foi procurada
Deu mensagem de amor
Para o homem mais humilde
Prá ministro ou senador
Fez o bem sem distinção
De sexo, raça ou cor.


Nossa imortal Menininha
Deixou no mundo uma história
Para o Brasil grande símbolo
Para a Bahia uma glória
E para todos os seus filhos
A mais sublime memória.


Hoje o dragão da tristeza
Caminha de porta em porta
Com sussurro assombrador
Com frase que desconforta
Dizendo a todo o Brasil
Mãe Menininha está morta.


Quem fez o seu pedestal
Concluiu a sua jornada
Serve a Deus, ajuda o povo
Mas quando a hora é chegada
Vai prestar contas a Jesus
Na sua mansão sagrada.


Os atabaques tocaram
Um ritual diferente
Vibrações de ritmos fúnebres
Preencheram o ambiente
Dando forte testemunho
Que tinha morrido gente.


Os tambores conversando
Cada um dizia: Eu, 
Hoje só trabalho a pulso
Pois triste fato se deu
O Gantuá enlutou-se
Mãe Menininha morreu.


Lavaram os sete degraus
Onde minha mãe pisava
Descendo quando saia
Subindo quando voltava
E hoje só tem tristeza
No lugar que ela morava.


Do jeito que nós choramos
Chora a Bahia todinha
Do Governo do Estado
Ao aluno da Marinha
Pedindo um pouco pra alma
Da nossa Mãe Menininha.


O culto afro perdeu
A grande orientadora
Iluminada dos deuses
Grandiosa e benfeitora
Conforto dos sofredores
Sincera e trabalhadora.


Foi para nossa cultura
Prejuízo incalculado
Nosso patrimônio histórico
Ficou pobre e desolado
Com o chamado dessa deusa
Num momento inesperado.


Mãe Menininha cresceu
Por extremosa bondade
O Gantuá é famoso
Por tanta simplicidade
Único lugar que as coisas
São vistas com igualdade.


Problema de rico ou pobre
Ali era resolvido
Com a mesma atenção
Prestando o mesmo sentido
Quem fosse a Mãe Menininha
Voltava favorecido.


Deu muita orientação
A mais de um Presidente
Getúlio e João Goulart
E na Bahia fez frente
Ajudando Antonio Carlos
Na política do presente.


Ex governadores foram
Assíduos no seu peji
O grande Ademar de Barros
Paulo Salim, Juracy
Bastava apertar um calo
Davam um pulo até ali.


O escritor Jorge Amado
E o pintor Carybé
Caymmi o grande cantor
Sabem dizer o que é
A força da Menininha
Rainha do Candomblé.


Com oito anos de idade
Ela já era envolvida
Nos rituais da Umbanda
E foi mais tarde escolhida
Para a missão que honrou
Até o final da vida.


Tinha vinte e oito anos
Quando ela foi convocada
Por Oxóssi e por Xangô
E em seguida aclamada
Por outros guias de luz
Dizendo a hora é chegada.


Obaluaê também
Deu seu aval favorável
Os Orixás lhe tornaram
Mãe-de-Santo incontestável
Representante altaneira
Vida longa e agradável.


Porém a doze de agosto
Foi Menininha internada
Com peritonite aguda
E bastante medicada
Na noite do dia treze
Morreu sem ser operada.


Ali na Clínica São Marcos
Dr. Edvaldo Brito
Convocou outro colega
Se esforçou fez bonito
Mas foi em vão o esforço
Que fez aquele perito.


Teve três dias de luto
A cidade de Salvador
O Prefeito Mário Kertész
Como grande seguidor
Disse eu sinto que a Bahia
Perdeu um grande valor.


Maria Bethânia disse
A Caetano seu irmão
Acho bom você chorar
Abraçando o violão
Para ele absolver
A dor do seu coração.


Dona Hildegardes Viana
Professor Cid Teixeira
Camafeu que de Oxóssi
Também sustenta a bandeira
Disseram a morte é de fato
Muito ingrata e traiçoeira.


De cem em cem anos nasce
Um gênio para sua gente
Porém como Menininha
É bastante diferente
Com mil anos não se tem
Uma outra novamente.


Nós artistas agora estamos
Sem fonte de energia
E os políticos sem a fonte
De maior sabedoria
Só porque Mãe Menininha
Deu o último adeus a Bahia.


Deus faz, Deus pode e Deus quer
Todo seu povo amparado
Vai mandar outra rainha
Morar naquele reinado
Pra o Gantuá do futuro
Ser o mesmo do passado.


Adeus oh Mãe Menininha!
Vou sempre lembrar seu dia
Ter desgosto todo agosto
Ver em treze grosseria
Pois esta data deixou
Muita lágrima na Bahia.


É isso meus amigos, quando a alma é grande, a religião é apenas uma forma de se ter devoção e zelo!

Anna Pon


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