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Nanã Bulukú




Nanã Bulukú

Nanã Bulukú ou Nanã Burukú é uma divindade muito antiga, cuja origem do culto é muito difícil de se saber e determinar. É uma deusa ligada a criação e seu principal templo está localizado nas colinas da cidade de Dasa-zumé no Benin.

Nanã Bulukú tem seu culto abrangendo uma vasta região e é cultuada pelos jejis e pelos yorubas.

Na cidade do Abomey, segundo Hippolyte Brice Sogbosi, Nanã Bulukú é cultuada em Jenà, no templo de Mäwü e Lisà, e neste templo seu culto se funde ao culto de Mäwü, neste caso pode-se dizer que Nanã Bulukú e Mäwü são a mesma divindade, no Abomey, com a diferença de que Nanã é o tratamento e a personificação de Mäwü. 

Hippolyte Brice cita que o sacerdote do templo de Jenà narra que "nós dahomeanos a chamamos Mäwü, mas os antigos a chamavam Nanã Bulukú". Neste templo Nanã Bulukú é vista como mãe de Nanã Kpaha, Nanã Hondo, Nanã Akonedi, e outras divindades que recebem o nome Nanã. Em verdade todas estas nanãs (exceto Nanã Bulukú) são sacerdotisas divinizadas do culto à Mäwü.

Na região de Tchetti, Nanã Bulukú está ligada a Sakpatá, sendo considerada a mãe dele e denominada Nyoxwé Ananu.

Em Dasa-zumé donde está seu maior templo, Nanã Bulukú é tida como a divindade Vodun, muito antiga e que criou tudo ao seu redor, é uma deusa muito velha que criou a natureza e é a mãe de Mäwü e Lisà. Herskovitz cita que o povo de Dasa-zumé acredita que foi no local onde está erguido o templo a Nanã Bulukú que a deusa descansou após criar o mundo e alí deu a luz a Mäwü e Lisà e depois entregou a eles todo o reino criado. 

As colinas que circundam o templo foram formadas por Ayidohwedo (a Serpente arco-íris) que auxiliou na tarefa de criação. Sakpatá também é cultuado como filho de Nanã Bulukú neste local. Acreditam ainda que todos os dias os filhos Mäwü e Lisà visitam sua mãe no templo, Lisà durante o dia em forma de sol, e Mäwü à noite em forma de lua.

Quando da visita de um Oli Buukú (sacerdote de Nanã bulukú) ou da Yäyä Buukú (sacerdotisa) a um templo de Mäwü e Lisà em outras localidades dizem que este não pode perguntar, ele apenas é guiado pela deusa até o local onde fica o templo.

Nas terras yorubás, Nanã Burukú é cultuada como divindade antiga e mãe de Xapanã.

Na Casa das Minas do maranhão, Nanã é cultuada sob o nome de Nochê Naê (significa literalmente "Mãe minha mãe"), ou Sinhá Velha, a mãe de todos os voduns, não é iniciada nem entra em transe, mas é tida como a governadora de todos os destinos da casa.

Nanã significa "respeitável mãe", é a divindade da terra, é a que dá a vida e acolhe os filhos na hora da morte; na cultura ewe-fon, principalmente em Dasa-zumé é a divindade que criou tudo ao seu redor. Uma mãe muito velha que representa a longevidade e a serenidade, a sabedoria, a grande senhora da vida e da morte.

Salú ibirí vodun nanã, Ahòboboy vodun gaiakú savadiê Ahoboboy Naê!!

Djeje Magina


No caso da Umbanda, nem todos os terreiros cultuam Nanã Buroquê, nome que sofreu alteração provavelmente do original Nanã Burukú, como vemos no texto acima. Até mesmo o significado de seu nome varia. Na Umbanda Nanã é avó e as entidades que a representam são, na maioria das vezes, pretas velhas.

Anna Pon


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